Comentário Lívia Aparecida: Tabu em campo.

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Quebrar uma sequência de cinco anos sem vencer o time do Itumbiara em seus domínios, com certeza não seria uma tarefa fácil. Para tentar superar este tabu o técnico Jorginho tentou algumas estratégias um tanto quanto irrisórias; como treinamento secreto e retardar um pouquinho para retornar para a segunda etapa do jogo. Se bem que com relação aos treinamentos secretos, Jorginho, já os fazia, quando era interino no Palmeiras. E retardar a volta para a segunda etapa aconteceu diante do Vila.  Então, tais metodologias não foram utilizadas só para tentar romper com o retrospecto negativo do Verde diante do Gigante do Vale, e sim fazem parte de sua filosofia de trabalho. Uma filosofia muito filosófica, assim como “a verdadeira verdade é a do Goiás”. Amigos, o time esmeraldino contratou um técnico com uma visão futurística, enquanto a maioria de seus companheiros de profissão bem renomados utilizam dos treinamentos secretos em épocas de grandes decisões, Jorginho não perdeu tempo e ainda no primeiro turno da competição começou a utilizar tal tática.  Nossa, como são válidas as omissões dos treinamentos, vez que ninguém conhece o estilo dos jogadores do Goiás e muito menos o esquema tático que ele poderá adotar. Parece até que existe um número infinito de tais esquemas.

No entanto, de nada adiantou treinamentos misteriosos pelas bandas da Serrinha  antes do jogo, pois o time parou frente ao tabu. Logo aos dois minutos, Calaça saiu meio esquisito na bola, o atacante pulou por cima dele e caiu, o árbitro marcou um pênalti. Com um Estádio lotado, ele preferiu não contrariar a torcida do time da casa. O craque Geraldo não decepcionou os torcedores. Aliás, como joga este camisa 100 do Itumbiara, com 36 anos de idade, além de ter uma excelente visão de jogo, distribuindo rapidamente as jogadas, ele joga os noventa minutos com uma vitalidade incrível. Qual será o segredo dele para tanta disposição? E o Calaça, coitado, lutando tanto tempo com o “tabu” para ser o titular do Goiás, foi premiado com um lance desses. Tal fato é compreensível, ele está sem ritmo de jogos oficiais e esta foi a segunda saída estranha dele; a primeira foi diante do Vila, naquela ocasião o reserva de Harlei teve sorte.

O time da Serrinha enfrentou dois adversários ao mesmo tempo, a boa equipe do Sul goiano e o tabu. Após ter sofrido um golpe certeiro logo no início do jogo, o Verde buscou o empate. Vítor cruzou a bola na pequena área para Fernandão, não foi na medida certa. Marcus Vinicius tentou tabelar com Fernandão, a bola foi forte demais. Novamente Marcus Vinicius, fez um drible até bonito, mas chutou sem direção. Tantos erros, só poderiam ser por causa do “tabu” pesando nas pernas dos esmeraldinos; ou teria outra explicação?!  Marcus Vinicius tocou a bola para Felipe, o zagueiro Leandro Silva comovido com a insistência do garoto, resolveu não interceptar o passe. E o veterano matador empatou a partida.

O Goiás ficou animado com o empate ainda no primeiro tempo, agora bastaria caprichar mais nas jogadas para vencer o tabu, quero dizer, para vencer o Itumbiara e romper de vez com o temido tabu. Os atletas esmeraldinos tentaram, tentaram e nada de sair jogadas precisas. Leandro Silva novamente, observando a aflição dos esmeraldinos, deu a bola de presente para Felipe, mas ele não soube aproveitar o agrado. É o efeito tabu, não tenho dúvida. Com o decorrer do jogo, o time de Goiânia percebendo que não conseguiria romper com o retrospecto negativo diante do Itumbiara, preferiu assegurar o empate. A igualdade no placar foi suficiente para tirar o Lanterna Verde, digo, para tirar o Verde da lanterna.

 

Lívia Aparecida   da Silva é graduada em Letras(Português /Francês)  Atualmente é professora efetiva da rede estadual de ensino de Goiás(Colégio Estadual Waldemar Mundim) e aluna do mestrado em Letras e Linguística da UFG- estuda o discurso futebolístico.